Disputa pelo Senado deve intensificar articulações e candidaturas isoladas nas eleições de 2026 no Maranhão

A disputa pelas duas vagas do Maranhão no Senado Federal deve ganhar novos contornos nas eleições de 2026. Embora caminhem juntos na corrida pelo Governo do Estado, partidos e federações têm adotado a estratégia de lançar candidaturas próprias ao Senado, modelo permitido pela legislação eleitoral e que amplia as possibilidades de alianças, negociações e múltiplos palanques dentro de um mesmo grupo político.

A corrida pelas duas cadeiras que estarão em disputa no Senado Federal pelo Maranhão promete ser um dos principais focos das eleições estaduais de 2026. Diferentemente da disputa pelo Palácio dos Leões, em que as alianças costumam ser mais consolidadas, o cenário para o Senado aponta para uma pulverização de candidaturas, com partidos lançando nomes próprios mesmo quando apoiam o mesmo candidato ao Governo do Estado. A estratégia, prevista pela legislação eleitoral, tende a ampliar as negociações políticas e aumentar a competitividade da disputa.

O movimento ganhou força após a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) admitir novamente a possibilidade de concorrer ao Senado. Em entrevista concedida no último fim de semana, ela afirmou que o bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto e a ausência de uma coligação formal da Federação União Progressista para a eleição ao Senado contribuíram para recolocar seu nome no cenário eleitoral. Caso confirme a candidatura, Roseana passa a integrar o grupo que apoia a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Maranhão, sem que isso implique, necessariamente, a retirada de outros pré-candidatos do mesmo campo político.

Estratégia também aparece entre aliados de Braide

A tendência também é observada entre os partidos que orbitam a pré-candidatura do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Nomes como André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) já são apontados como possíveis candidatos ao Senado, enquanto o ex-senador Roberto Rocha (Novo) retomou seu projeto eleitoral, ampliando o número de postulantes ligados ao mesmo espectro político.

Segundo especialistas ouvidos por O Imparcial, a candidatura de Roberto Rocha, por exemplo, não impede que o Novo participe de uma eventual aliança em torno de Eduardo Braide para o Governo do Estado. Isso ocorre porque a legislação permite autonomia na formação das chapas majoritárias para governador e senador.

O que diz a legislação eleitoral

As regras eleitorais permitem que um partido integre uma coligação para a disputa ao governo estadual e, simultaneamente, apresente candidatura própria ao Senado. A decisão deve ser aprovada durante as convenções partidárias, responsáveis por oficializar as candidaturas.

Na prática, isso significa que uma legenda pode lançar uma chapa exclusiva para o Senado — composta pelo candidato titular e dois suplentes — sem necessidade de compartilhar esse espaço com os demais partidos que apoiam o mesmo candidato ao Executivo estadual. O modelo também possibilita que diferentes candidatos ao Senado façam campanha ao lado do mesmo concorrente ao Governo do Estado, prática conhecida nos bastidores políticos como “palanque aberto”.

Cenário reúne diversos pré-candidatos

Até o momento, o cenário da disputa reúne um grande número de pré-candidatos às duas vagas do Senado. Entre os nomes que aparecem nas articulações estão:

  • Weverton Rocha (PDT);
  • Eliziane Gama (PT);
  • André Fufuca (PP);
  • Roberto Rocha (Novo);
  • Lahesio Bonfim (Novo);
  • Duarte Jr. (Avante);
  • César Pires (PSD);
  • Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza);
  • Simplício Araújo (Solidariedade);
  • Antonia Cariongo (PSOL);
  • Franklin Douglas (PSOL);
  • Wilson Leite (PSTU).

Nos últimos dias, o cenário sofreu alterações após o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) retirar sua pré-candidatura ao Senado para disputar a reeleição à Câmara dos Deputados. Segundo o grupo político do parlamentar, a decisão foi tomada após a consolidação da possível candidatura de Roseana Sarney, o que levou a uma reorganização da estratégia eleitoral da base aliada de Orleans Brandão.

Disputa tende a ser uma das mais abertas dos últimos anos

Com duas vagas em disputa e a possibilidade de múltiplas candidaturas dentro dos mesmos grupos políticos, a eleição para o Senado no Maranhão tende a ocorrer de forma mais fragmentada do que a disputa pelo Governo do Estado.

A autonomia garantida pela legislação amplia o espaço para negociações entre partidos e candidatos, permitindo diferentes composições de campanha e aumentando a imprevisibilidade sobre quem conquistará as duas cadeiras maranhenses no Senado Federal a partir de 2027.

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