Fim da escala 6×1 pode fortalecer emprego formal, afirma ministro do Trabalho e Emprego

“É necessário fazer uma correção de uma jornada que é extenuante. É provado que estão aumentando demasiadamente as doenças profissionais, especialmente doenças mentais, mas também acidentes e faltas. O governo defende com muita clareza a redução para 40 horas semanais, sem redução de salário, com duas folgas na semana, para mudar a escala perversa, especialmente para as mulheres, que é a escala 6×1”, enfatizou o ministro.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, reforçou que o fim da escala de trabalho 6×1, seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso, integra um conjunto de medidas para modernizar o mercado de trabalho brasileiro, com foco em saúde, produtividade e melhores condições de vida para os trabalhadores.

Segundo o ministro, a proposta do governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial e com duas folgas semanais. A mudança, de acordo com ele, representa “um processo de melhoria do ambiente de trabalho”, capaz de reduzir doenças ocupacionais, acidentes e faltas, fatores que impactam diretamente a economia.

Marinho destacou que jornadas extensas têm contribuído para o aumento de problemas de saúde, especialmente mentais, além de prejudicar o desempenho dos trabalhadores. Nesse cenário, a redução da carga horária tende a elevar a produtividade, já que trabalhadores descansados apresentam melhor rendimento e menor índice de absenteísmo.

Outro ponto central da proposta é a flexibilidade. O ministro afirmou que o fim da escala 6×1 não significa o encerramento do trabalho aos fins de semana. Empresas poderão continuar operando normalmente por meio de acordos coletivos, que definirão a organização das folgas conforme as necessidades de cada setor.

A medida também responde a uma demanda crescente da sociedade, especialmente da juventude, que tem demonstrado resistência a jornadas mais rígidas. Segundo Marinho, muitos jovens rejeitam vagas que exigem apenas um dia de descanso semanal, o que tem dificultado o preenchimento de postos de trabalho em diversos setores.

“Há um clamor, especialmente da juventude trabalhadora”, afirmou o ministro em outra ocasião, ao destacar que a nova geração busca mais tempo para estudos, qualificação profissional e vida pessoal.

Além disso, o debate sobre o fim da escala 6×1 está ligado a mudanças mais amplas no mundo do trabalho, incluindo a regulamentação de atividades mediadas por plataformas digitais. O ministro defendeu a criação de regras para motoristas e entregadores por aplicativo, que hoje enfrentam insegurança jurídica e falta de proteção social.

Para ele, a ausência de regulamentação favorece apenas as empresas, enquanto os trabalhadores ficam expostos a condições precárias. A proposta do governo busca garantir direitos mínimos e maior estabilidade para essa categoria, que cresce no país.

Marinho também enfatizou que a implementação das mudanças será baseada em diálogo e escuta com os setores produtivos. Segundo ele, o governo está aberto a avaliar impactos e construir soluções conjuntas com empregadores e trabalhadores, caso dificuldades específicas surjam após a adoção da nova jornada.

Apesar de críticas de parte do setor empresarial, o ministro rejeitou a ideia de que a medida possa aumentar a informalidade. Ele argumenta que experiências anteriores de redução da jornada mostraram resultados positivos, com ganhos de produtividade, melhoria da qualidade do trabalho e fortalecimento do emprego formal.

A proposta tramita no Congresso Nacional e faz parte de um debate mais amplo sobre a reorganização do trabalho no Brasil. Para o governo, a iniciativa busca equilibrar crescimento econômico com bem-estar social, adaptando o país às novas demandas do mercado e às transformações nas relações de trabalho.

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