A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para fabricar no Brasil o dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A produção nacional depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar a abastecer a rede pública. No Maranhão, onde o medicamento integra o tratamento oferecido pelo SUS, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) já contabilizou 355 casos de AIDS apenas no primeiro semestre de 2026.

A produção nacional do principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil está prestes a se tornar realidade. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), concluiu a transferência de tecnologia necessária para fabricar o dolutegravir, antirretroviral utilizado diariamente por mais de 770 mil pessoas vivendo com o vírus no país e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, o início da fabricação e distribuição depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A nacionalização da produção representa um avanço para o sistema público de saúde ao reduzir a dependência de fornecedores internacionais, fortalecer a capacidade tecnológica do país e garantir maior segurança no abastecimento do medicamento para os pacientes.
No Maranhão, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que foram registrados 967 casos de AIDS ao longo de 2025. Apenas no primeiro semestre de 2026, o estado já contabilizou 355 notificações da doença. São Luís lidera o número de registros neste ano, com 113 casos, seguida por São José de Ribamar, com 51, e Imperatriz, com 34.
Além do tratamento, a SES afirma manter ações permanentes de prevenção e diagnóstico, oferecendo distribuição gratuita de preservativos, autotestes, Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), Profilaxia Pós-Exposição (PEP), testes rápidos e terapia antirretroviral em todas as regiões do estado.
Transferência de tecnologia
O dolutegravir foi desenvolvido pela ViiV Healthcare, empresa especializada em pesquisas para prevenção e tratamento do HIV pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, a companhia firmou um acordo de transferência de tecnologia com Farmanguinhos para nacionalizar gradualmente a produção do medicamento.
Desde então, a unidade da Fiocruz realizou adaptações em sua planta industrial, adquiriu novos equipamentos, capacitou equipes, estruturou processos regulatórios e implantou etapas operacionais para atender aos padrões exigidos para a fabricação do antirretroviral. Também foram implementados procedimentos de controle de qualidade e segurança antes da distribuição do medicamento.
Mesmo antes da conclusão do processo, Farmanguinhos já desempenhava papel importante no fornecimento do remédio ao SUS. Desde 2022, o instituto é responsável pela distribuição dos comprimidos produzidos pela GSK, somando mais de 739 milhões de cápsulas entregues ao sistema público. Em 2025, passou também a realizar as análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.
Produção já está pronta
A preparação para o início da fabricação nacional já avançou. Três lotes do dolutegravir foram produzidos e validados por Farmanguinhos e estão prontos para serem entregues ao SUS assim que a Anvisa conceder a autorização.
Paralelamente, a equipe técnica trabalha na validação da metodologia analítica do ingrediente farmacêutico ativo, etapa considerada essencial para consolidar toda a cadeia produtiva do medicamento no Brasil.
O acordo entre a Fiocruz e a ViiV Healthcare prevê ainda uma nova fase da parceria. Além do dolutegravir isolado, Farmanguinhos deverá fabricar também a combinação do medicamento com a lamivudina, outro antirretroviral utilizado no tratamento da infecção pelo HIV. A expectativa é que essa produção tenha início no próximo ano.
Como o medicamento atua
Considerado um dos principais medicamentos no combate ao HIV, o dolutegravir age bloqueando a enzima integrase, impedindo que o vírus se multiplique nas células de defesa do organismo. Com isso, reduz a carga viral para níveis indetectáveis, preserva o sistema imunológico e diminui significativamente o risco de evolução para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).
Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o dolutegravir como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para pessoas vivendo com HIV, incluindo mulheres grávidas e pessoas com potencial para engravidar. A produção nacional amplia a segurança do abastecimento do SUS e fortalece a autonomia tecnológica do Brasil no enfrentamento da doença.









