São João: cultura popular movimenta economia e gera oportunidades para pequenos empreendedores no MA

No São João do Maranhão, uma das maiores manifestações culturais do Brasil, o bumba meu boi encanta pela lenda de Catirina e Pai Francisco, pelas toadas que narram histórias e crenças e, também, pela riqueza das indumentárias, adereços e instrumentos musicais que dão cor e ritmo à festa. As festas juninas contam, ainda, com toda a exuberância e o bailado do tambor de crioula, do cacuriá, da dança portuguesa, entre muitos outros.

São contas, pérolas, paetês, penas, tecidos de chita e outros elementos que compõem o figurino de índias e índios, vaqueiros, caboclos, coreiras, dançarinos e demais personagens dessa manifestação cultural, além de tambores, matracas, pandeirões e outros instrumentos musicais.

Mas, por trás de todo esse brilho, cor e ritmo, há mãos ágeis de personagens criativos e dedicados que, muitas vezes, permanecem no anonimato, mas que sem eles “o boi não dança”. São artesãos, bordadores, costureiros, ferreiros e outros profissionais que dedicam tempo e criatividade para tornar a festança junina tão encantadora, atraindo pessoas de várias partes do Brasil e do mundo.

Há uma forte cadeia produtiva ligada aos grupos culturais como o bumba meu boi, o tambor de crioula, o cacuriá e a dança portuguesa, entre outros. O São João do Maranhão aquece o turismo, a gastronomia e a economia criativa. Durante a temporada junina, a cultura popular maranhense se transforma em oportunidade de geração de renda, fortalecendo a economia local.

Para o economista Lucas Mendes, a cultura é um setor muito produtivo, que gera emprego, movimenta o comércio, atrai turistas e reforça a identidade local. Ele destaca que muitas famílias vivem dessas atividades durante todo o ano, especialmente aquelas ligadas aos grupos culturais, como o bumba meu boi.

“Há toda uma cadeia produtiva em torno da cultura. A confecção de indumentárias para os grupos de bumba meu boi, o bordado e a fabricação de instrumentos, como pandeirões, tambor-onça e matracas, movimentam artesãos, costureiras e comerciantes. Uma costureira do Boi de Maracanã, por exemplo, pode comprar tecido, linha e miçangas no comércio local”. Quando o grupo vai se apresentar em um arraial, precisa alugar transporte para levar os brincantes”, explica.

O especialista aponta, ainda, que a apresentação atrai turistas e maranhenses, que, por sua vez, movimentam serviços de alimentação, transporte e hospedagem, um consumo que vai além dos arraiais.

“O turista atraído pela cultura não vai apenas ao arraial. Durante o dia, frequenta restaurantes, realiza passeios, conhece a cidade e consome. Fica evidente, portanto, que a cultura movimenta a economia de forma ampla e encadeada”.

Com uma programação extensa, que vai de maio a julho, o São João do Maranhão é considerado o maior evento do calendário cultural maranhense, contando com inúmeras apresentações simultâneas de grupos culturais em várias partes do estado, atraindo visitantes e aquecendo a economia.

“Fala-se muito sobre São Luís, que é onde se tem mais visibilidade, mas há São João em todo o estado, como na Baixada Maranhense, por exemplo. Portanto, os grupos de São Luís e de outros municípios produzem o ano inteiro, movimentando artesãos, costureiras, bordadeiras, músicos etc. Vale destacar que, mesmo quando o poder público investe em atrações nacionais, o que de fato atrai o público e aquece a economia são as manifestações locais”, destaca o economista Lucas Mendes.

O especialista pontua, ainda, que o público quer ver a diversidade dos grupos de bumba meu boi, do tambor de crioula, do cacuriá e de tantas outras expressões culturais.

“Os turistas querem conhecer a cultura maranhense, e os maranhenses desejam reforçar sua identidade cultural. São esses e outros elementos, não citados aqui, que fazem do São João um evento único e muito relevante do ponto de vista econômico.”

A movimentação econômica se comprova em números: segundo levantamento do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), em 2025, a movimentação registrada no Maranhão durante o período do São João foi de R$ 415 milhões, e a estimativa é que esse número cresça 30% em 2026.

Ainda de acordo com o Imesc, diversos setores da economia são beneficiados pelas festas juninas no Maranhão, como alimentação, bebidas, vestuário e artesanato.

Um dos segmentos que mais lucram nessa época é o de hotelaria, devido ao aumento no fluxo de turistas. Além disso, o setor de transportes, especialmente por aplicativo e táxi, também é beneficiado durante a festividade.

Quanto aos pequenos empreendedores, ambulantes e trabalhadores informais que atuam nos arraiais oficiais, de acordo com o Imesc, cerca de 8,5 mil pessoas estiveram ocupadas nos estabelecimentos presentes nos arraiais (alta de 15,4% em relação a 2024), e espera-se que esse número aumente neste ano.

fonte Por Liliane Cutrim, g1 MA

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