São Luís tem menos de 16% do esgoto tratado e figura entre as piores capitais do país

São Luís está entre as capitais brasileiras com os piores indicadores de saneamento básico, segundo o Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil. A capital maranhense ocupa a 90ª posição entre os 100 municípios mais populosos do país, com baixa cobertura de coleta e tratamento de esgoto e investimentos muito abaixo do necessário para universalizar os serviços.

São Luís aparece entre os 20 municípios com pior desempenho no Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. Entre as capitais brasileiras, a cidade integra um grupo de sete com os piores indicadores de saneamento básico, ao lado de Maceió, Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho.

O levantamento analisa os 100 municípios mais populosos do Brasil com base nos indicadores do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024, divulgados pelo Ministério das Cidades.

Coleta e tratamento de esgoto estão entre os principais problemas

Os dados mostram que apenas 41,85% da população de São Luís é atendida pela rede de coleta de esgoto. A situação é ainda mais crítica quando se observa o tratamento dos resíduos: somente 15,78% do esgoto gerado recebe tratamento adequado.

No abastecimento de água, o desempenho é melhor, mas ainda distante da universalização prevista pelo Marco Legal do Saneamento. O índice de atendimento chega a 89,23% da população.

Outro dado que preocupa é o volume de investimentos destinados ao setor.

Segundo o Instituto Trata Brasil, o valor considerado necessário para alcançar a universalização dos serviços de saneamento é de R$ 233 por habitante ao ano. No Maranhão, entretanto, o investimento médio é de apenas R$ 18,17 por morador, valor cerca de 13 vezes menor que o recomendado.

Especialistas alertam que a falta de investimentos compromete a expansão da infraestrutura e dificulta o cumprimento das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento, que prevê a ampliação do acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto até 2033.

Problemas fazem parte da rotina dos moradores

As deficiências apontadas pelo ranking refletem situações enfrentadas diariamente pela população.

No Conjunto Basa, no bairro São Francisco, um vazamento de esgoto na Travessa Antônio Rego permanece sem solução há cerca de dois anos. Além do mau cheiro, o problema dificulta a circulação de pedestres e prejudica comerciantes da região.

Outros pontos críticos também foram registrados no bairro Monte Castelo. Em frente ao Centro de Hemodiálise de São Luís, o acúmulo de esgoto compromete o acesso de pacientes que realizam tratamento regularmente, segundo relatos de acompanhantes.

Ranking reforça desafios do saneamento no Brasil

O Ranking do Saneamento 2026 evidencia que o acesso ao saneamento básico ainda é um dos principais desafios de infraestrutura do país. Segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 30 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, enquanto cerca de 90 milhões vivem sem coleta de esgoto, situação que impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente, a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico.

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