Projeto de hidrovia promete baratear alimentos e melhorar abastecimento no interior

A reativação da hidrovia do Rio São Francisco pode reduzir custos de transporte, baratear alimentos e melhorar o abastecimento em cidades do interior do país, segundo estudos do governo federal.

O governo federal estuda a reativação da hidrovia do Rio São Francisco como estratégia para reduzir custos logísticos e melhorar o abastecimento de alimentos em regiões do interior. A iniciativa é conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos em parceria com a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).

A proposta prevê a retomada do transporte hidroviário em um trecho navegável de aproximadamente 1.371 quilômetros, ligando cidades como Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Segundo o governo, a utilização do modal fluvial pode tornar o transporte de cargas mais barato do que o rodoviário, impactando diretamente o preço final dos produtos, especialmente alimentos. A expectativa é que a medida ajude a reduzir custos logísticos e torne o abastecimento mais regular para a população.

Além disso, a hidrovia tem potencial para atender cerca de 505 municípios e beneficiar aproximadamente 11,4 milhões de pessoas. A previsão inicial é de movimentação de até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação.

Entre os principais produtos que poderão ser transportados estão grãos como soja, milho e algodão, além de fertilizantes, calcário e outros insumos agrícolas. Esses itens têm impacto direto na cadeia produtiva e no custo dos alimentos consumidos pela população.

IMPACTOS

A retomada da hidrovia também deve contribuir para melhorar a regularidade no abastecimento de cidades do interior, que muitas vezes enfrentam dificuldades logísticas devido à dependência do transporte rodoviário. Com o transporte fluvial, a chegada de produtos tende a se tornar mais estável e eficiente.

Outro efeito esperado é o estímulo à economia regional. O projeto pode gerar empregos nos setores de logística, comércio e serviços, além de dinamizar a atividade econômica em municípios ribeirinhos ao longo do percurso.

A iniciativa também busca fortalecer a integração entre regiões, conectando áreas do Sudeste e Nordeste por meio de uma alternativa de transporte mais sustentável e com menor custo operacional.

INFRAESTRUTURA E PRÓXIMOS PASSOS

Para viabilizar a retomada da hidrovia, o projeto prevê melhorias na navegabilidade do rio, ampliação da infraestrutura e implantação de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4). Essas estruturas devem facilitar o acesso de municípios menores ao transporte hidroviário.

A gestão da hidrovia deverá ser transferida do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a Codeba, em articulação com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), como parte da reorganização do setor.

Ainda em fase de estudos, o projeto não tem data definida para início das operações, mas é visto como estratégico para reduzir custos logísticos no país e ampliar o acesso a produtos essenciais em regiões mais afastadas dos grandes centros.

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