Conteúdos feitos por IA simulam desenhos animados e somam milhões de visualizações com roteiros misóginos e violentos. Sucesso impulsiona venda de cursos que prometem ‘renda extra’.

Personagens fruta se tornaram fenômeno nas redes sociais ao protagonizar histórias curtas com enredos de novelas, incluindo romances, traições e conflitos familiares. Produzidos com o uso de inteligência artificial, os vídeos acumulam milhões de visualizações e forte engajamento em plataformas como TikTok e Instagram.
O sucesso do formato está ligado à combinação de elementos chamativos: personagens visualmente “fofos”, narrativa acelerada e alto teor emocional. A estética lúdica (que remete a desenhos infantis) é um convite para que crianças e adolescentes consumam, sem filtro, roteiros carregados de palavrões e de discursos preconceituosos. Em poucos segundos, os vídeos apresentam conflitos intensos e terminam em momentos de suspense, incentivando o público a continuar assistindo e acompanhar novos episódios.
Esse tipo de conteúdo é altamente adaptado aos algoritmos das redes sociais. A produção rápida e em grande volume, aliada a testes constantes de aceitação, faz com que esses vídeos sejam impulsionados e alcancem ainda mais usuários. O sucesso de audiência também está inflando a venda de cursos que prometem “renda extra” através dos prompts (comandos de textos para Inteligência Artificial) que animam os personagens.
Segundo especialistas, o consumo frequente desse tipo de conteúdo pode levar à normalização de comportamentos prejudiciais, dificuldade de distinguir ficção da realidade e até dessensibilização emocional. As histórias frequentemente abordam temas como violência, relações tóxicas e manipulação emocional, sem qualquer classificação indicativa. Outro ponto de atenção é o caráter viciante dos vídeos curtos, que oferecem recompensas rápidas ao cérebro e incentivam o consumo contínuo.
Abacatudo, Moranguete e Bananildo são alguns dos personagens que dão rosto e voz sintética a tramas que comprimem, em 60 segundos, o suco de um típico dramalhão brasileiro mesmo. Com direito a fofocas, traições e até barracos em bailes funk.
Com a grande repercussão, cresce a discussão sobre a necessidade de maior controle e educação digital. A recomendação é que pais e responsáveis acompanhem o que crianças e adolescentes consomem nas redes, além de estimular o pensamento crítico sobre os conteúdos assistidos.
O fenômeno das “novelas de frutas” também evidencia uma transformação no entretenimento digital, cada vez mais marcado pela produção automatizada, hiperpersonalização e forte influência dos algoritmos na definição do que se torna viral.









