Enquanto o Brasil enfrenta aumento nos casos de feminicídio, o Maranhão registrou queda de 40% nos crimes entre janeiro e abril de 2026, resultado atribuído ao fortalecimento da rede de proteção, investimentos em segurança pública e ampliação do atendimento especializado às mulheres.

Em meio ao crescimento da violência contra a mulher em diferentes regiões do país, o Maranhão apresentou redução nos casos de feminicídio nos primeiros quatro meses de 2026. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) apontam queda de 40% no número de ocorrências em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo o levantamento elaborado pela Unidade de Estatística e Análise Criminal (UEAC) e pelo Departamento de Feminicídio, foram registrados nove casos entre janeiro e abril deste ano, contra 15 ocorrências no mesmo intervalo de 2025.
Os dados mostram redução expressiva especialmente nos meses de janeiro e abril. Em janeiro de 2025, o estado havia registrado cinco feminicídios, enquanto no mesmo mês de 2026 houve apenas um caso, queda de 80%. Já em abril, o número caiu de cinco para dois registros, representando redução de 60%.
A redução foi de 50% no comparativo anual. Em São Luís, os números permaneceram estáveis, com um caso registrado em cada período analisado. Apesar disso, abril de 2026 terminou sem feminicídios na capital maranhense.
Os casos registrados neste ano ocorreram nos municípios de Alto Parnaíba, Centro Novo do Maranhão, Imperatriz, Itinga do Maranhão, Nina Rodrigues, Pirapemas, São Bernardo, São Luís e Timon.
REDE DE PROTEÇÃO
O governo estadual atribui os resultados ao aumento dos investimentos em segurança pública e à ampliação da rede de atendimento às mulheres vítimas de violência. Atualmente, o Maranhão possui Delegacias Especiais da Mulher em 22 regionais da Polícia Civil, além de 16 Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher instalados em municípios que ainda não possuem delegacias próprias.
A estrutura também inclui o Departamento de Feminicídio, responsável por coordenar investigações, produzir análises estatísticas e aprimorar estratégias de enfrentamento à violência de gênero.
Segundo a delegada Wanda Moura, chefe do Departamento de Feminicídio, o acolhimento inicial tem sido decisivo para evitar que casos evoluam para situações mais graves. A chamada “escuta qualificada” permite identificar riscos rapidamente e agilizar medidas protetivas.
Outra frente destacada pelo governo é a atuação da Patrulha Maria da Penha. Atualmente, o Maranhão conta com 24 patrulhas em operação, atendendo cerca de 80 municípios. As equipes realizam monitoramento de medidas protetivas, acompanhamento das vítimas e fiscalização do cumprimento de decisões judiciais.
O estado também ampliou os canais de denúncia e atendimento às vítimas. Entre os mecanismos disponíveis estão o aplicativo Salve Maria Maranhão, o telefone 190 do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops) e o Disque-Denúncia 181.
A estratégia busca acelerar a resposta das forças de segurança e facilitar o acesso das mulheres à rede de proteção. Além disso, o governo tem investido em inteligência policial, capacitação de equipes e ampliação da presença territorial das forças de segurança.
CENÁRIO NACIONAL
Apesar da redução registrada no Maranhão, o cenário nacional segue alarmante. Dados recentes apontam que o Brasil registrou um feminicídio a cada 5 horas e 25 minutos no primeiro trimestre de 2026.
No próprio Maranhão, especialistas alertam que ainda há desafios importantes. Levantamentos anteriores mostraram crescimento das tentativas de feminicídio e reforçaram a necessidade de ampliar ações preventivas e políticas públicas permanentes.
Para a Secretaria de Segurança Pública, a redução dos índices demonstra que a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, órgãos de perícia e rede de proteção social tem produzido resultados positivos, embora o combate à violência contra a mulher continue sendo tratado como prioridade permanente no estado.









