O desaparecimento de uma estrela 13 vezes mais massiva que o sol tem oferecido novas pistas de um dos processos mais enigmáticos do universo: como os buracos negros se formam.

Na galáxia de Andrômeda, entre 2014 e 2024, o brilho da M31-2014-DS1 (o nome técnico dessa estrela supergigante) reduziu-se a apenas um décimo de milésimo de seu brilho anterior no espectro visível e no infravermelho próximo. De repente, ela tornou-se praticamente indetectável pelos instrumentos óticos atuais.
Pesquisadores da revista americana Science deram uma explicação para esse fenômeno: uma transformação não violenta da M31-2014-DS1 em um buraco negro estelar com cerca de 5 massas solares.
Diante dessa nova descoberta, os pesquisadores observaram que nem todas as estrelas gigantes terminam sua vida em explosões luminosas, como as supernovas. Em alguns casos, elas simplesmente colapsam sob a própria gravidade e desaparecem, dando origem diretamente a um buraco negro. Esse fenômeno, conhecido como “supernova fracassada”, ocorre quando o núcleo da estrela colapsa, mas não há energia suficiente para expulsar suas camadas externas. Em vez de uma grande explosão, a estrela praticamente “some” do céu.
QUANDO O BRILHO SE APAGA
Foram examinados os dados coletados por diversos observatórios espaciais e terrestres entre 2005 e 2023. Entre eles, a missão NEOWISE da NASA ou o telescópio Samuel Oschin do Observatório Palomar, na Califórnia.
Embora existam estrelas cujo brilho varia periodicamente, como as variáveis cefeidas ou as binárias eclipsantes, há muito poucos casos documentados de estrelas cuja intensidade diminui gradualmente até se tornarem invisíveis aos detectores astronômicos. Que é o caso da estrela supergigante vermelha M31-2014-DS, que desapareceu sem deixar praticamente nenhum vestígio.
Os resultados foram bastante conclusivos. A estrela M31-2014-DS1 começou a emitir luz infravermelha em 2014, aumentando seu brilho até 2016. A partir de então, este diminuiu drasticamente em menos de um ano.
Em 2022 e 2023, a estrela havia praticamente se extinguido nos comprimentos de onda do visível e do infravermelho próximo.
O que resta atualmente da extinta estrela M31-2014-DS1 só pode ser detectado na luz infravermelha média e brilha com aproximadamente um décimo de sua intensidade original.
NOVAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE BURACOS NEGROS
Até o momento, a descoberta de buracos negros estelares concentrava-se na busca por restos de supernovas. Por se tratarem de eventos muito luminosos, sua localização no Cosmos era relativamente acessível.
Com esses novos resultados, se as supernovas fracassadas forem realmente comuns em todo o Universo, o número de buracos negros estelares poderia ser muito maior do que o esperado. Além disso, teríamos que repensar se a abundância de elementos pesados no Universo provém exclusivamente das explosões de supernovas.
Além disso, o estudo indica que existem diferentes caminhos para a formação de buracos negros. Alguns surgem após explosões estelares, enquanto outros nascem diretamente do colapso de estrelas muito massivas, sem qualquer evento visível.
Essas descobertas contribuem para aprimorar os modelos sobre a evolução das estrelas e ajudam os cientistas a compreender melhor como esses objetos extremos se originam no universo.









