Petróleo em alta: conflito no Irã já provoca impactos globais

A escalada da guerra no Irã provocou uma forte alta no preço do petróleo, que já acumula valorização de cerca de 50% em apenas um mês. O avanço do conflito no Oriente Médio pressiona o mercado global de energia e levanta preocupações sobre impactos na inflação e nos preços dos combustíveis em diversos países.

O preço do petróleo registrou forte alta desde o início da guerra no Irã, acumulando valorização de cerca de 50% em apenas um mês. A escalada do conflito no Golfo Persa tem provocado impactos diretos nos mercados internacionais e acende alertas sobre possíveis efeitos na economia global.

Dados recentes mostram que o barril do tipo Brent, referência internacional, ultrapassou a marca dos 100 dólares, chegando a ser negociado acima de US$ 115 em alguns contratos. Antes do início do conflito, no fim de fevereiro, o valor girava em torno de US$ 72, evidenciando a magnitude da alta.

A disparada nos preços está diretamente ligada às tensões na região do Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Interrupções no fluxo da commodity e ameaças à navegação têm reduzido a oferta global, pressionando as cotações para cima.

Especialistas apontam que, caso o conflito se prolongue ou haja bloqueios mais duradouros na região, os preços podem subir ainda mais, podendo alcançar níveis próximos a US$ 150 por barril.

Os reflexos já começam a ser sentidos em diferentes países. No Brasil, por exemplo, houve aumento nos preços dos combustíveis, com alta significativa no diesel e na gasolina nas últimas semanas. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a gasolina foi vendida na semana passada, em média, a R$ 6,78 por litro, aumento de 8% em relação ao preço praticado antes do conflito, ou R$ 0,50 por litro.

O litro do diesel S-10 custou, em média, R$ 7,57 na semana passada. O aumento acumulado desde a semana anterior à guerra é de 24%, ou R$ 1,48 por litro.

Além do impacto direto no bolso dos consumidores, a alta do petróleo também pressiona a inflação e pode afetar decisões econômicas, como a definição de taxas de juros. Analistas já revisam projeções para 2026, indicando um cenário de maior cautela diante da instabilidade internacional.

A proposta do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para criar um subsídio extra de R$ 1,20 para compensar o aumento no preço do diesel importado já tem o apoio de alguns estados, mas a maioria dos governos locais deve definir sua posição nos próximos dias.

A medida proposta pela União é bancar metade do benefício (R$ 0,60 por litro).

O avanço do conflito, aliado às incertezas geopolíticas, mantém o mercado em alerta. A expectativa é que os preços do petróleo continuem voláteis nas próximas semanas, dependendo da evolução da guerra e das condições de oferta global de energia.

“Quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maior será a redução nos estoques de reserva, o que poderá desencadear aumentos expressivos no preço do petróleo bruto, do gás natural e de outras commodities”, afirmou Bruce Kasman, chefe global de economia do JPMorgan.

“Um cenário em que o estreito permaneça fechado por mais um mês seria compatível com os preços do petróleo subindo em direção a US$ 150 por barril e com restrições aos consumidores industriais de energia.”

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